terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Prêmio Fundação BB de Tecnologia social

Além das tradicionais categorias regionais, quinta edição do prêmio abre espaço para as categorias "Participação das mulheres na gestão de projetos sociais", "Gestão de Recursos Hídricos" e "Direitos da criança e do adolescente e protagonismo juvenil".


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Presidente da Fundação BB, Jacques Pena participa do lançamento em Belém

O lançamento da 5ª edição do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social ocorreu durante a programação do Fórum Social Mundial (FSM), que terminou no dia 1º, em Belém, com atividades concentradas nos campus da Universidade Federal do Pará (UFPA) e da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA).

O Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social chega à quinta edição abrindo espaço para as categorias "Participação das mulheres na gestão de projetos sociais", "Gestão de Recursos Hídricos" e "Direitos da criança e do adolescente e protagonismo juvenil", além das tradicionais, uma para cada região do país.

Lotando o auditório da Reitoria da UFPA, o evento de lançamento contou com a presença de Zélia Damasceno, da oscip Poloprobio, do Acre, Arildo Mota, da Unisol Brasil, Janice Dias, da Petrobras, João Batista, da Superintendência do Banco do Brasil do Pará e do Amapá, Jacques Pena, presidente da Fundação Banco do Brasil, além de outros técnicos da entidade. "O Fórum é um espaço privilegiado para divulgarmos, já que estamos falando de forma direta com os maiores interessados", disse Jacques Pena.

Realizada a cada dois anos, com a parceria da Petrobras, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e da KPMG Auditores Independentes, a premiação tem como objetivo identificar, certificar, premiar e difundir Tecnologias Sociais. O conceito compreende produtos, técnicas ou metodologias reaplicáveis, desenvolvidas na interação com a comunidade, que representem soluções efetivas de transformação social. As inscrições serão realizadas apenas via internet www.tecnologiasocial.org.br, até o dia 29 de maio.

Os nomes dos vencedores serão conhecidos em novembro e cada um receberá R$ 50 mil, que devem ser destinados à expansão e melhoria dos processos e técnicas inscritos no concurso.

Norte e Centro-Oeste

O presidente da Fundação Banco do Brasil, Jacques Pena, revelou que o desafio desta edição é conseguir ampliar o número de inscrições oriundas das regiões Norte e Centro-Oeste. "Há muita coisa sendo feita por grupos destas regiões do país que ainda não conseguimos identificar. Precisamos conseguir chegar até eles para que possam se inscrever e participar", afirma.

De 2001 a 2007, a região Sudeste inscreveu 971 projetos; a região Nordeste, 585; a região Sul, 532; o Centro-Oeste, 250 e o Norte, 159.

O projeto Encauchados de Vegetais da Amazônia, do Acre, vencedor do Prêmio, em 2007, é um exemplo do potencial da região Norte de gerar Tecnologias Sociais. A iniciativa recupera a tecnologia indígena de fabricação dos encauchados, lâminas de tecido emborrachadas com o "leite" da seringa.

No processo, o látex não é coagulado nem defumado, mas concentrado por meio da secagem pela evaporação na temperatura ambiente. A essa técnica soma-se o conhecimento científico, para realização de um acessível processo artesanal de pré-vulcanização e mistura manual de fibras vegetais ao látex. A tecnologia não utiliza energia elétrica, máquinas ou estufas, além de agregar valor à base produtiva, gerando renda e qualidade de vida aos seringueiros.

Reaplicação

"O Prêmio nos abriu muitas portas. Além do selo de Tecnologia Social, o número de unidades implantadas pelo projeto na Amazônia subiu de 16 para 29 com a parceria da Petrobras e do Sebrae", comemora Zélia Damasceno, coordenadora pedagógica do projeto.

No auditório da UFPA, durante o evento de lançamento, ela apresentou uma das multiplicadoras da Tecnologia Social. "Antes, ela era apenas dona de casa - uma ótima dona de casa e mãe. Mas, hoje, é também uma coordenadora de pintura em sua comunidade", orgulha-se.

Arildo Mota, da Unisol Brasil, destacou a importância do investimento social em cadeias produtivas, do início ao fim, além das parcerias institucionais para o investimento em novas e velhas tecnologias. "Muitas vezes, isso significa apenas recuperar antigos hábitos alimentares e culturais, respeitando o meio ambiente", acredita.

João Batista, da Superintendência do BB do Pará e do Amapá, falou sobre a importância da estratégia de Desenvolvimento Regional Sustentável do Banco do Brasil de investir em todas as etapas de cadeias produtivas, junto a agentes de desenvolvimento local, para geração de trabalho e renda em todo o país. "Coisas muito simples podem se tornar tecnologias e fazer a diferença para muitas pessoas", completa.

Reconhecimento

Outro exemplo de Tecnologia Social bem sucedida é a Cisterna de Placas Pré-Moldadas, do programa Um Milhão de Cisternas, desenvolvido pela Articulação do Semi-Árido (ASA). "É uma solução construída a partir do conceito de Tecnologia Social que é, ao mesmo tempo, um método e um processo de construção coletiva e de mobilização das comunidades", explica Jacques Pena.

Segundo Janice Dias, da Petrobras, o prêmio abre oportunidades para que grupos e organizações busquem recursos de outros parceiros. "A premiação não é o fim, mas o início de um processo de reconhecimento das Tecnologias Sociais e respaldo para que outras instituições invistam nessas iniciativas", acredita. De acordo com Janice, a Petrobras busca projetos no Banco de Tecnologias Sociais e na Rede de Tecnologia Social para desenvolver um trabalho com mais expansão e escala.

"O nosso único mérito é reconhecer os méritos alheios e identificar soluções sociais criadas por diferentes comunidades em todo o país", finaliza Jacques Pena.


Fonte: Portal RTS

Congresso Feminista acontecerá em 2010 na Argentina



"Utopia. Ella está en el horizonte. Me acerco dos pasos, ella se aleja dos pasos. Camino diez pasos y el horizonte se corre diez pasos más
allá. Por mucho que yo camine, nunca la alcanzaré. ¿Para qué sirve la utopía? Para eso sirve: para caminar"

Eduardo Galeano

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Senaes lança Boletim Informativo

Clique na imagem para fazer o download do boletim completo

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Textos das Assembléias no Fórum Social Mundial

MANIFIESTO DEL ESPACIO DE LOS DERECHOS COLECTIVOS DE LOS PUEBLOS Y NACIONES SIN ESTADO PARA EL FORO SOCIAL MUNDIAL DE BELEM 2009

El respeto a los derechos colectivos de los Pueblos, uno de los fundamentos de otro mundo posible.

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Agroecologia - Aldeia da Paz

Esta carta representa a síntese das discussões que ocorreram a partir do dia 28 de janeiro de 2009 no acampamento da Aldeia da Paz e se repetindo nos demais dias do Fórum Social Mundial.

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Carta LGBT ao Fórum Social Mundial

Desde 2001, sob a bandeira de que um outro mundo é possível, milhares de pessoas de todos os continentes vêm participando do Fórum Social Mundial, na perspectiva de construção de uma outra sociedade, onde a exploração do mercado e a opressão das diversidades sejam superadas.

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Fórum Mundial de Ciência e Democracia

Nosso objetivo é iniciar um processo aberto e inclusivo visando a construção de uma rede internacional de movimentos, organizações e indivíduos que compartilham essa visão crítica.

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RESOLUÇÕES DA ASSEMBLÉIA ´PAN-AMAZONICA FORUM SOCIAL MUNDIAL - BELÉM -2009

Com a presença de aproximadamente 400 participantes de organizações e movimentos sociais amazônidas da Guiana Francesa, Peru, Bolívia, Venezuela, Colômbia e Brasil , alimentada pela realização de cinco Encontros Sem-Fronteiras e diversos fóruns regionais de luta preparatórios para o evento do Fórum Social Mundial realizou-se a Assembléia Pan-Amazônica do FSM que aprovou as seguintes resoluções:

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ASSEMBLÉIA DE COMBATE À CORRUPÇÃO FSM 2009 AMAZÔNIA

Os participantes da Assembléia Final de combate à corrupção e impunidade, vindos de todos os continentes, e que debateram durante o FSM 2009 diferentes aspectos e dimensões da corrupção e da impunidade no mundo propõem:

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Declaração da Assembléia de Mulheres - FSM 2009

No ano em que o FSM encontra-se com a população da Pan-Amazônia, nós mulheres de diferentes partes do mundo, reunidas em Belém, afirmamos a contribuição das mulheres indígenas e das mulheres de todos os povos da floresta como sujeito político que vem enriquecer o feminismo a partir da diversidade cultural de nossas sociedades e conosco fortalecer a luta feminista contra o sistema patriarcal capitalista globalizado.

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Chamado à recuperação dos bens comuns

A privatização e a mercantilização de elementos vitais para a humanidade ET LA PLANETE são mais fortes do que nunca.

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Declaración de la Asamblea del Agua

Los movimientos por el agua reunidos en el Forum Social Mundial de Belem consideran que este modelo económico ha declarado guerra a la naturaleza: al agua, al aire, a la tierra y los bosques, y a todos los bienes comunes naturales.

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Acuerdo de Asamblea sobre Crisis de Civilización Occidental Capitalista

Articulemos Paradigmas Alternativos. Foro Temático 2010: Descolonialidad, Desmercantilización de la Vida, Bien Vivir y Derechos colectivos

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Movimientos sociales urbanos construyendo convergencia en el Foro Social Mundial

La crisis financiera actual evidencia los límites aceptables del capitalismo, los efectos de negligencias dañinas en su desregulación del alto consumismo.

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DECLARACIÓN DE LOS PUEBLOS INDIGENAS

LA SALVACIÓN DEL PLANETA ESTA EN LA SABIDURÍA ANCESTRAL DE LOS PUEBLOS INDÍGENAS DE LA AMAZONIA

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Assembleia de Crianças e Adolescente

Os participantes da América Latina (Brasil, Colombia, Chile, Argentina, México, Venezuela,) de Crianças e Adolescentes no FORUM SOCIAL MUNDIAL:

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SHARED CONCERNS AND ISSUES EMERGING FROM THE 1ST SCIENCE AND DEMORACY WORLD FORUM

This text is the initial result of the 1st Science & Democracy World Forum which took place in Belém on 26-27 January 2009.

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ASAMBLEA DEL COLECTIVO DIVERSIDADES CULTURALES DE NIÑOS, NIÑAS, ADOLESCENTES

A ASAMBLEA DEL COLECTIVO DIVERSIDADES CULTURALES DE NIÑOS, NIÑAS, ADOLESCENTES de LOS PAISES DE Bolivia, Perú, Colombia, , México, Argentina, Brasil, Chile, proponemos al FORO SOCIAL MUNDIAL:

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PROPOSTAS DA ECONOMIA SOLIDÁRIA NO FSM 2009

Frente à crise econômica internacional afirmamos que a economia social e solidária é uma das estrátegias que vem permitindo e crescimento econômico sustentável, parte da construção de um novo modelo de desenvolvimento que é centrado no bem estar das pessoas nos 5 continentes.

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Urban Movements Building Convergences at the WSF 2009

The current financial crisis demonstrates the limits of capitalism, the hazards of malign neglect in its insufficient regulation and the rush to posses and consume more.

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Resultado das Assembléia de Negras e Negros

A Assembléia tentou garantir que os assuntos tratados nas atividades realizadas na Tenda Afro-Negritude-Quilombola, ligados à questão da população negra, constassem, de alguma forma, nesta declaração a ser lida na Assembléia das Assembléias:

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Asamblea contra la guerra, las bases militares y las armas nucleares

"Nosotros, movimientos por la paz y contra la guerra, reunidos en el FSM de Belem, declaramos:

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DERECHOS HUMANOS

En plenaria propuesta por el caucus de derechos humanos, se abrirá al debate para que las organizaciones y personas se pronuncien sobre sus temas y estrategias en derechos humanos.

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Assembléia de Comunicação Compartilhada

Recomendações do Seminário de Comunicação Compartilhada realizado durante o Fórum Mundial de Mídia Livre entre iniciativas colaborativas de comunicação do FSM e representantes de movimentos sociais preocupados com a democratização da comunicação

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Declaração da Assembléia da Justiça Climática

JUSTIÇA CLIMÁTICA JÁ! Não às enganações neoliberais,sim às soluções populares!

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Impulsionar o processo permanente do Fórum Social Mundial para enfrentar a crise

Durante duas horas, representantes de 50 organizações de 12 países apresentaram aproximadamente 20 propostas e revisaram cada uma para analisar seu grau de consenso, auto- organização ou recomendações para o Conselho Internacional. Foi possível criar na página da internet openfsm.net um mecanismo para que as organizações pudessem mostrar seu apoio as propostas.

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Assembléia Negros/as e Fórum Social Africano

Nós, membros do Fórum Social Africano e do Conselho do Fórum do mesmo nome, com mais de 20 organizações membros presentes neste Fórum, por um lado e, o Movimento Negro Unificado (MNU) e representantes do movimento social negro brasileiro, por outro lado, encaminhamos o seguinte:

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Próxima jornada pan-amazônica: 15 de julho

Com o chamado "Amazônia para o povo brasileiro, pan-amazônia para os povos pan-amazônicos", movimentos e organizações da floresta convocam outro encontro para este ano

Aldalice apresenta resoluções pan-amazônicas

Modelos e escolhas relacionados ao desenvolvimento ou à proteção da região pan-amazônica estiveram em debate e disputa durante todo o FSM em Belém.

Ações de corporações que exploram recursos da floresta, como a Vale, projetos energéticos grandiosos, como a usina do Rio Madeira, e reividicações dos povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas foram objeto de tribunais, manifestações, denúncias e até uma ação direta - de ocupação do Centro de Mídia por centenas de indígenas - para chamar a atenção internacional aos problemas da região.

No último dia do FSM, a integrante do Grupo de Facilitação da Edição 2009, Aldalice Oterloo, apresentou as principais preocupações dos povos da floresta, transformadas em resoluções , e anunciou a convocação de um próximo grande Encontro Sem Fronteiras entre entidades e comunidades da Guiana Francesa, Peru, Bolívia, Venezuela, Colômbia e Brasil, em 15 de julho de 2009. Conheça o resultado da Assembléia Pan-amazônica

Resoluções pan-amazônicas de Belém

Com a presença de aproximadamente 400 participantes de organizações e movimentos sociais amazônidas da Guiana Francesa, Peru, Bolívia, Venezuela, Colômbia e Brasil , alimentada pela realização de cinco Encontros Sem-Fronteiras e diversos fóruns regionais de luta preparatórios para o evento do Fórum Social Mundial realizou-se a Assembléia Pan-Amazônica do FSM que aprovou as seguintes resoluções:

Convocar os povos do mundo para se solidarizarem e apoiarem a luta dos povos da Pan-Amazônia:

Contra o Modelo Energético baseada na Construção das grandes usinas hidrelétricas e apoiar a busca de novas matrizes energéticas.

No combate aos danos sociais e ambientais causados pela ação das grandes mineradoras.Repudiamos a ação nefasta da Companhia Vale contra os ecosistemas e os povos da Amazônia e outros biomas no Brasil e no mundo.

No apoio à luta pela Demarcação das Terras e Reconhecimento dos Direitos Coletivos dos Povos Indígenas, Quilombolas e Comunidades Tradicionais da Pan-Amazônia Na luta pela Garantia da Organização e Consolidação das Unidades de Conservação com a retirada dos grileiros e a construção de uma vida digna às suas populações.

Na luta pelo Direito Irrestrito de Ir e Vir aos povos amazônicos entre as fronteiras pan-Amazonicas

No Combate ao Tráfico Humano pelas Fronteiras Pan-Amazônicas

No Apoio os esforços para deter os massacres e a guerra civil na Colômbia e alcançar uma paz justa e duradoura.

AMAZONIA BRASILEIRA PARA O POVO BRASILEIRO! PAN-AMAZONIA PARA OS POVOS PAN-AMAZONICOS!

Além disso a Assembléia da Pan-Amazônia do FSM convocou a realização de um reunião geral das organizações e movimentos que participaram dos Encontros Sem-Fronteira, dos Fóruns Regionais de Luta e da própria Assembléia Pan-Amazônica a se realizar no dia 15 de julho de 2009 , em Belém do Pará, com os seguintes objetivos: Tomar as medidas necessárias para transformar a pauta aprovada em campanhas de luta articuladas por toda Pan-Amazônia. Preparar a realização do V Fórum Social-Pan-Amazonica que deverá ser precedido por novas edições dos Encontros Sem-Fronteiras Estabelecer formas de comunicação, documentação e sustentação do Fórum Social Pan-Amazônico. Para dar encaminhamento a estas resoluções foi formada uma Comissão Provisória composta das seguintes, redes, organizações e movimentos. União das Universidades da Pan-Amazonia - UNAMAZ Fórum da Amazônia Oriental- FAOR Fórum da Amazônia Ocidental - FAOC Rede de Nova Cartografia Social União dos Trabalhadores da Guiana - UTG Instituto Amazonia Solidária e Sustentável - IAMAS Federação de Órgãos para Assistência Sociial e Educacional - FASE- Amazonia.

Foto: Bárbara Ablas.

Fonte: www.ciranda.net

Contra a invisibilidade das comunidades tradicionais

Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia favorece o reconhecimento de que 1/4 do território nacional é legitimamente ocupado por 5 milhões de famílias representantes de povos e comunidades tradicionais.

Ana Facundes

Na década de 80, para a instalação da Base de Lançamento de Mísseis em Alcântara (MA), o Estudo de Impacto Ambiental apontava o local como vazio demográfico, apesar da existẽncia de inúmeras comunidades quilombolas em uma população rural de mais de 15.000 pessoas.

Essa invisibilidade das comunidades tradicionais, principalmente na região amazônica, tem favorecido a implantação de grandes projetos econômicos, como Projeto Carajás, indústrias de papel e celulose e o avanço da soja no cerrado maranhense.

No Fórum Social Mundial, a tenda “Cartografia dos Povos e Comunidades Tradicionais” apresentou o Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia, coordenado pelo antropólogo Alfredo Wagner Berno de Almeida, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

Reunindo pesquisadores e movimentos sociais articulados com diversas universidades, o projeto realiza oficinas de mapeamento participativo, a partir das quais professores e alunos de graduação e de pós-graduação ajudam membros de determinado grupo a registrarem quem são e como vivem, além de mapearem a localização geográfica de suas comunidades.

Já foram lançados mais de 70 fascículos, mapeando de norte a sul do Brasil quebradeiras de coco babaçu, quilombolas, artesãs, faxinais, fundos de pastos, ciganos, ribeirinhos, povos indígenas, cipozeiros, grupos afro-religiosos, entre outros.

Segundo Seu Leonardo, da comunidade quilombola de Brito, em Alcântara, "o mapeamento ajudou os quilombolas a reconhecerem seus direitos e os limites de suas terras".

O fortalecimento dos movimento tem gerado protesto dos ruralistas, que tentam barrar a execução dos decretos de regularização fundiária de quilombos e de territórios indígenas.

Fonte: www.ciranda.net

Índios reinvindicam direitos

Lideranças indígenas levam reivindicações ao ministro da Justiça, Tarso Genro, durante o Fórum Social Mundial

A presença do ministro da Justiça, Tarso Genro, no dia 31, na Tenda dos Povos Indígenas, montada dentro da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra),durante o FSM 2009, esquentou o debate sobre os direitos dos índios e causou grande movimentação.

O ministro participou de um encontro com lideranças indígenas de vários Estados como Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná e Rondônia, organizado pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab).

Durante cerca de quinze minutos, Tarso ouviu as reclamações dos índios que, basicamente, giram em torno do direito à cultura, à terra, à saúde e segurança. Construção de barragens e hidrelétricas, o desmatamento de florestas, violência contra lideranças, demarcação definitiva das terras indígenas e extinção de povos foram os principais assuntos levantados pelos índios.

Em resposta, o ministro declarou que está comprometido em encaminhar todas as reinvindicações: "Tenham certeza de que se eu e o Márcio Meira (presidente da Funai, que também estava no debate) não pudermos apoiar a luta dos indígenas, se formos vedados de alguma forma, nós saímos do ministério e da Funai". Porém, Tarso disse que o governo só poderá atender a todas as demandas se forem de fora para dentro, pois existem forças contrárias. "Isso não é bravata. Mas tudo que fazemos recebe uma saraivada de criticas no congresso e na imprensa", completou Tarso.

Além disso, o ministro disse que algumas providências já foram tomadas. "Em dois anos assinamos 271 portarias declatórias, para demarcação de terras, fizemos 10 homologações e cerca de 90 processos (demarcação) estão em andamento".

Segundo Tarso, a Funai está passando por modificações, o que deve contribuir para que as reinvindicações sejam atendidas: "Conseguimos três mil vagas para o suporte humano e técnico ao trabalho".

"Também estamos pendindo ao presidente Lula a retirada da saúde indígena da Funasa e sua transferência para a Funai".

Enquanto isso, índios esperam sua vez. "Não atacamos os fazendeiros, mas mesmo assim eles invadem e nos matam", diz Elizeu Lopes, índio Guarani Caiuá, da aldeia Curuçu Amba, que fica no Mato Grosso do Sul. Segundo ele, 110 famílias da aldeia, expulsas de seu território, estão vivendo sob lonas na beira da estrada. "Viemos entregar nosso pedido de demarcação das nossas terras", conta Elizeu.

"É fácil atender a nossa pauta de reinvindicações, basta o governo brasileiro respeitar a constituição federal que diz quais são os direitos dos índios com relação a terra, segurança e saúde", reclama Uilton Tuxá, da Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME).

Participaram do debate também, Bartolomé Clavero, mebro do Fórum Permanente das Nações Unidas para as questões indígenas, Carlos Frederico Marês,ex-presidente da Funai, José Geraldo de Souza Junior, reitor da Universidade de Brasília (UNB), Marcos Apurinã, coordenador da Coiab e Pedro Vieira Abamovay, Secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça.

Fonte: www.ciranda.net

Imagens da Tenda Indígena FSM 2009

Fotos: Lucas Lacaz Ruiz



Presidentes participam do Fórum Social Mundial 2009

Foto de Eduardo Seidl

Cerca de 20 mil pessoas estiveram presentes na ocasião. Na platéia, alguns protestos e destaque às diversas lutas dos movimentos.

Em cerimônia realizada no Centro de Feiras e Convenções da Amazônia, no dia 29 de janeiro, a governadora do Estado do Pará, Ana Júlia Carepa, agradeceu a presença dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil), Hugo Chavez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia), Rafael Correa (Equador), Fernando Lugo (Paraguai) e representantes das comunidades índigenas no Fórum. Ela destacou a luta dos movimentos sociais e as conquistas desses povos considerados marginais pela sociedade.

Na platéia alguns protestos e cerca de vinte mil pessoas presentes no evento. A imprensa ficou localizada entre os movimentos sociais e as tribos índigenas da América Latina, que agradeceram pela participação em uma atividade tão grande. Os representantes das tribos ficaram na mesa junto dos presidentes, que discursaram logo em seguida.

Os presidentes discursaram a respeito da importância estratégica de realizar o FSM na Amazônia. Um dos mais aplaudidos foi o presidente brasileiro. "Nenhum estudioso explica como um índio com a cara de índio, um trabalhador, um jovem e um negro chegariam a presidência de seus países e, no último, comandar a maior potência econômica do mundo", declarou o presidente Lula.

Jean Philippe Fernandes Santa Rosa

Agência Jovem de Notícias/ Revista Viração


Vejam outras publicações a respeito do assunto AQUI

Mudanças climáticas e soberania alimentar

Promovida pela Marcha Mundial de Mulheres, Amigos de la Tierra, Via Campesina, REMTE, Cone Sul Sustentável e Fundação H.Boll, o debate mostrou como são falsas as soluções apresentadas para resolver as mudanças climáticas e como afetam a soberania alimentar

Faz tempo que o conceito de soberania alimentar está presente nas discussões de um outro modelo de desenvolvimento para os povos da Terra; de conceito virou princípio, e hoje é um direito humano pelo qual temos que lutar. Esta foi a introdução de Mario Almada, do CIP - Comitê para a Soberania Alimentar, ao abir a mesa que lotou a Tenda Panamazônica, na UFRA, nesta sexta-feira.

Para o ativista chileno, o modelo neoliberal gerou na América Latina não apenas uma crise econômica, mas uma série de crises: crise da produção, crise ambiental, crise no trabalho e crise social. A primeira gerada pelo desenvolvimento do agronegócio e da agroexportação, com a implantação de monocultivos em nossos países,que acabamo sistema de produção camponês e indígena, promovendo o deslocamento de fronteiras e destruindo a biodiversidade.

A privatização dos recursos naturais - terra, água, biodiversidade - faz cada dia mais camponeses perderem seus recursos enquanto promove a concentração da riqueza, a poluição e contaminação do solo, dos rios, do meio ambiente por insumos químicos e agrotóxicos. A questão dos preços passa a ser fundamental - duplicaram entre 2005 e 2008, e afetam os setores mais vulneráveis, já que os preços são negociados no mercado mundial, de uma forma especulativa.

Aumenta o desemprego e o subemprego, com falta total de proteção do Estado, sobretudo na agricultura. Com isso, a migração é intensa, aumentando a pobreza nas cidades e a violência rural. Segundo Almada, as mulheres sao as que mais sofrem, já que existe uma feminização do trabalho agrícola, pois elas sentem-se obrigadas a trabalhar para manter seus filhos.

Lucia Ortiz chamou a atenção sobre o tempo curto para reverter a situação e possibilitar a vida e a convivência no planeta. "A crise climática e financeira é resultado da sociedade capitalista exploradora dos trabalhadores e da natureza". Para Lucia as soluções apresentadas são falsas, pois reproduzem o mesmo modelo, como os novos combustíveis apresentados - etanol, carvão verde, ou novas modalidades tecnológicas. "Todos os ajustes do modelo são feitos para não recair sobre os maiores responsáveis, e pergunta: para que? para quem? essa troca de fonte energética está sendo utilizada?"

A geóloga e coordenadora da Amigos de la Tierra falou também sobre as velhas "soluções" que jogam para o futuro mais problemas, como as usinas nucleares, as barragens, os transgênicos e o controle das sementes. Ironicamente, Banco Mundial e BID detem fundos para implementar esses projetos e depois oferecem ajuda financeira às populações afetadas; e ficam os países não responsáveis pelos problemas endividados novamente por falsas soluções. Citando exemplos de ações dos governos da Bolívia e do Equador, e a necessidade da campanha pela nacionalização do petróleo no Brasil, Lucia defendeu a reforma agrária e a diversificação da produção, a soberania energética dos povos, a economia solidária, para pensarmos num novo modelo para a AL que promova o bem viver.

Miriam Nobre, da Marcha Mundial de Mulheres, relatou experiências com as quebradeiras de côco da Amazonia, para ilustrar a percepção das mulheres para a mudança de clima. Para ela, "as falsas soluções tentam adequar o tempo da natureza ao tempo necessário ao capitalismo". Citando o emblemático exemplo do eucalipto, que cresce rápido e tem a celulose até utilizada na fabricação de salsichas,exemplo típico da alimentação rápida, a presidente da MMM defendeu que revertamos rápidamente a organização do tempo, com a conquista da diminuição da jornada de trabalho e a divisão do trabalho doméstico entre homens e mulheres, por exemplo.

Outra analogia foi feita por ela em relação ao papel dos supermercados, e chamou a atenção de como o sistema das Nações Unidas vem se apropriando do discurso agroecológico, assim como se apropriou do discurso das feministas, criando inclusive confusão entre nós.

Abrindo o debate com os participantes, Josie Riffaud, francesa da Via Campesina, lembrou do encontro climático da ONU que irá acontecer em Copenhagen no final do ano, solicitando ações em todos os países. Lembrou de incluir nas falsas soluções as nanotecnologias que tentam fertilizar oceanos ou controlar a chuva e finalizou dizendo que "conforto não é sobreconsumo, que é absurdo, não deixa as pessoas felizes, basta ver o aumento de pessoas depressivas na Europa".

Fonte: www.ciranda.net

Brasil Local no Fórum Social Mundial

A Coordenadora Estadual, Andréa Mendes, e a Agente Quilombola, Laís dos Santos, ambas do Projeto Brasil Local em Rondônia, estiveram presentes à 9 edição do Fórum Social Mundial 2009, em Belém/PA.

Além das representantes do Projeto, participaram do evento empreendimentos solidários de pelo menos quatro municípios, acompanhados pela equipe Brasil Local.

A organização da Caravana vem sendo articulada desde fevereiro de 2008. Em outubro, do mesmo ano, confimaram-se as parcerias que viabilizaram todo o processo de deslocamento e estadia à Capital do Fórum Social Mundial.

Dos empreendimentos apoiados, destacamos a participação de 02 Associações Quilombolas, 02 Associações de Catadores de Material Reciclável, 04 grupos de Artesanato, 01 Associação ligada à Agricultura Familiar, 02 Grupos de Mulheres, principalmente quando falamos da Feira Internacional de Economia Solidária, de 28/01 a 01/02.

Além dos grupos solidários, participaram da Caravana entidades de apoio e gestores públicos locais.

Uma breve história do Fórum Social Mundial

Emir Sader


O Fórum Social Mundial já tem história. Uma história que não pode ser entendida separada daquilo que lhe deu nascimento e a que ele está intrinsecamente vinculado: a luta contra o neoliberalismo e por um mundo posneoliberal – que é o sentido de seu lema central “Um outro mundo possível”.

Nas suas origens está o “grito zapatista” de 1994”, conclamando à luta global contra o neoliberalismo. Em seguida, veio o editorial do Le Monde Diplomatique, de Ignacio Ramonet, chamando à luta contra o “pensamento único”, seguida pelas manifestações em Seattle, que impediram a realização da reunião da OMC e as outras, em tantas cidades do mundo. Enquanto isso, se realizavam anualmente manifestações na Suiça, chamadas de anti-Davos.

Até que, com o crescimento da resistência ao neoliberalismo, se pensou no projeto de organizar um Forum Social Mundial em oposição ao Forum Economico de Davos. A idéia foi de Bernard Cassen, jornalista francês que naquele momento dirigia a Attac, que ao mesmo tempo propôs que a sede fosse na periferia do sistema – onde residem as vitimas privilegiadas do neoliberalismo -, na América Latina – onde se desenvolviam os principais movimentos de resistência, no Brasil – que tinha a esquerda mais forte naquele momento – e, em particular, em Porto Alegre – pelas políticas dos governos do PT, de Orçamento Participativo.

O FSM passou assim da sua pré-história à sua história, com a série de 6 FSMs realizados desde então. Depois do primeiro se constituiu um Conselho Internacional, com participação de todas as entidades que quisessem se incorporar, porém a direção continuou em um estrito grupo de entidades brasileiras, dominadas por ONGs. Este foi um limitante original do FSM, dado que o movimento se apoiava centralmente em movimentos sociais – de que a Via Campesina agrupa a parte significativa deles -, enquanto as ONGs – cujo caráter ambíguo, até mesmo neoliberal pela sua definição anti-governamental, mas também com várias delas com ações obscuras no seu sentido, no seu financiamento e nas suas alianças com grandes empresas privadas – se apoderava do controle da organização, imprimindo-lhe um caráter restrito.

Restrito, porque limitado a um suposta “sociedade civil”, o que já lhe imprimia um caráter liberal, oposto a governos, a partidos, a Estados, bloqueando a capacidade de construção de “um outro mundo possível”, que teria que ser um mundo global, com transformação das relações de poder, do Estado e da sociedade no seu conjunto.
Também ficava fora um tema que passou a ser central no mundo conforme os EUA adotavam sua política de “guerras infinitas” – a luta pela paz -, que no entanto representou o momento de maior capacidade de mobilização dos novos movimentos populares no mundo, com as mobilizações de resistência à guerra do Iraque, em 2003.

O Conselho Internacional decidiu a alternância de sedes do FSM, que passou a se realizar em outros continentes, com o que ser realizaram FSMs na Índia e no Quênia, ao mesmo tempo que decidiu que os FSM se realizassem a cada dois anos, alternados por FSM regionais.

No entanto o FSM passou realmente a girar em falso conforme a definição inicial de se limitar um espaço de troça de experiências entre entidades da “sociedade civil” foi limitando suas temáticas e sua capacidade de formular alternativas. Nem sequer balanços das maiores mobilizações populares jamais havidas, as contra a guerra do Iraque, foram feitas, para definir a continuidade da luta. A fragmentação dos temas se acentuou conforme foi decidido que as atividades dos FSM seriam “autogestionadas”, sem definição política dos temas fundamentais, que deveriam ser financiados centralizadamente, promovendo um imenso privilegio das ONGs e outras entidades que dispõem de recursos contra os movimentos sociais – que deveriam ser os protagonistas fundamentais do FSM.

Embora tenha sido eleito um novo Secretariado, pelo voto dos membros do Conselho Internacional, dominado pelas ONGs, somente neste FSM é que se tem a possibilidade de acerto de contas com a realidade existente desde 2001. Seis FSM depois, o “novo mundo possível” tem em governos latinoamericanos progressistas, os agentes da sua construção.

Avanços como a Alba, o Banco do Sul, a Unasul, o Conselho Sulamericano de Defesa, além de políticas nacionais como as de refundação dos Estados na Bolívia e no Equador, além do combate ao analfabetismo, das Escolas Latinoamericanas de Medicina, da Operação Milagre, entre outras iniciativas – configuram os principais avanços na luta pelo posneoliberalismo.

Os movimentos sociais que souberam rearticular de maneira criativa suas relações com a esfera política – de que a fundação pelos movimentos bolivianos do MAS – e disputar a criação de novos governos e a construção de projetos hegemônicos alternativos, avançaram significativamente na criação do “outro mundo possível”.

Enquanto que os que seguiram refugiados na chamada “autonomia dos movimentos sociais” – como os casos dos piqueteiros argentinos ou dos zapatistas – perderam peso ou até mesmo tenderam a desaparecer politicamente.O movimento anti-neoliberal passou assim da fase de resistência à fase de construção de alternativas.

Este FSM demonstrará se permanece na fase de resistência, de fragmentação de temáticas, de limitação à “sociedade civil” ou se se coloca à altura da etapa atual de disputa hegemônica, já não mais a nível nacional ou regional, mas a nível global, quando a crise capitalista e o esgotamento do modelo neoliberal coloca para o FSM seu maior desafio: ser agente na construção concreta do “outro mundo possível” ou permanecer como espaço de testemunhos, ricos, mas impotentes.

Rondônia na Feira Internacional de Economia Solidária e FSM 2009


Durante os 05 dias de Feira Interncaional no Território da Economia Solidária dentro do FSM 2009, doze empreendimentos solidários de Rondônia apresentaram sua história e comercializaram os seus produtos para pelo menos 7 mil pessoas das 100 mil que circularam em todo o Fórum. A autogestão e cooperação foram exercícios diários entre os empreendimentos que pretendem integrar uma proposta coletiva de organização assim que retornarem ao Estado, após o Fórum Social Mundial.

Outras representações participaram exclusivamente dos Encontros e Discussões.


Estima-se um volume de comercialização acima de R$ 10.000,00, a realização de pelo menos 30 contatos importantes e participação em 90 atividades autogestionárias.

A integração destes segmentos pretende para além da Feira Internacional e FSM 2009, estruturar o Fórum Rondoniense de Economia Solidária e dar maior visibilidade dos empreendimentos identificados pela SENAES/MTE nas pesquisas do Mapeamento, no Projeto Brasil Local ou mesmo no próprio Fórum Local.

Todas estas atividades que @s representantes de Rondônia participaram em Belém/PA, contribuirão para a construção do coletivo solidário que pretendemos fortalecer daqui por diante, afirma a Coordenadora da Caravana e Articuladora Estadual da Economia Solidária.

Uma agenda de atividades será reforçada nesta próxima terça-feira (10), durante reunião da Coordenação Estadual em Porto Velho/RO.

O fundamental apoio de entidades nacionais e locais como o SEBRAE/RO, o Projeto Brasil Local/SENAES/MTE, o Fórum Brasileiro de Economia Solidária, o Instituto Marista de Solidariedade, a Coordenadoria de Mulheres do Município de Porto Velho, EMATER, DFDA/MDA, CPPT Cuniã, Projeto Terra sem Males/CPT, Senadora Fátima Cleide, CUT entre outros, possibilitaram essa participação massiva no FSM.

Contatos do FRES: amazoniasannyah@yahoo.com.br ou eco_solidaria@yahoo.com.br

Economia Solidária apresenta propostas na Assembléia Final do FSM 2009


Frente à crise econômica internacional afirmamos que a economia social e solidária é uma das estrátegias que vem permitindo o crescimento econômico sustentável, parte da construção de um novo modelo de desenvolvimento que é centrado no bem estar das pessoas nos 5 continentes.

Nós, trabalhadoras, trabalhadores e militantes do movimento de Economia Solidária, fazemos as seguintes propostas:

1 - No contexto de crise mundial, mais que nunca as práticas econômicas alternativas respondem através de suas experiências com novos instrumentos de finanças sociais e solidárias. É portanto fundamental reconhecer e apoiar a criação de laços cada vez mais fortes entre a economia, sustentabilidade e as finanças solidárias.

2 - É necessário resgatar o papel da FAO dentro do sistema ONU de garantir o direito a alimentação através de recomendação de incremento da produção de alimentos oriundos da agricultura familiar e da economia solidária também como forma de promoção de outro modelo de desenvolvimento, com trabalho e justiça frente ao aumento do desemprego no mundo.

3 - Temos que dar maior importância política e coerência prática na construção material do Fórum Social Mundial, garantindo cada vez maior participação de empreendimentos solidários, de agricultura familiar local, de materiais de baixo impacto ambiental, entre outros, na infra-estrutura das edições futuras do FSM.

4 - Recomendamos a criação de uma articulação de organizações que atuam com tecnologias da informação/mídias livres para elaborar uma solução tecnológica via web que permita intercâmbios econômicos solidários locais e internacionais com base em sistemas já existentes.

5 - Na construção das futuras edições do FSM, reconhecendo o aporte da Economia Social e Solidária no seio desta globalização da solidariedade, recomendamos que o território da Economia Social e Solidária fique próximo geograficamente às grandes temáticas, na construção dos territórios através das afinidades.

6 - Defendemos o apoio e mobilização pelo projeto de Lei da Merenda Escolar Brasileiro, que garante que pelo menos 30% da merenda seja comprada de empreendimentos locais da agricultura familiar e de Economia Solidária, o que implica numa ação estratégica na defesa da segurança alimentar e nutricional, e de outro modelo de desenvolvimento: local, solidário, sustentável e culturalmente diverso.

7 – Propomos o lançamento de uma campanha mundial por compras públicas e pelo consumo ético e responsável de produtos e serviços da Economia Solidária e Agricultura Familiar, além de denunciar os danos e impactos que advém do consumo de produtos das empresas capitalistas e corporações multinacionais.

8 – Nos somamos aos demais movimentos sociais de todo o mundo em suas lutas pela dignidade humana, o bem-viver, a emancipação dos povos e a transformação do atual modelo de desenvolvimento.

* Carta lida na Assembléia Final do Fórum Social Mundial 2009, por Jaqueline Vanzeler (membro da Coordenação Executiva do FBES)

Belém, Pará, Amazônia, Brasil.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009