domingo, 8 de fevereiro de 2009

Contra a invisibilidade das comunidades tradicionais

Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia favorece o reconhecimento de que 1/4 do território nacional é legitimamente ocupado por 5 milhões de famílias representantes de povos e comunidades tradicionais.

Ana Facundes

Na década de 80, para a instalação da Base de Lançamento de Mísseis em Alcântara (MA), o Estudo de Impacto Ambiental apontava o local como vazio demográfico, apesar da existẽncia de inúmeras comunidades quilombolas em uma população rural de mais de 15.000 pessoas.

Essa invisibilidade das comunidades tradicionais, principalmente na região amazônica, tem favorecido a implantação de grandes projetos econômicos, como Projeto Carajás, indústrias de papel e celulose e o avanço da soja no cerrado maranhense.

No Fórum Social Mundial, a tenda “Cartografia dos Povos e Comunidades Tradicionais” apresentou o Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia, coordenado pelo antropólogo Alfredo Wagner Berno de Almeida, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

Reunindo pesquisadores e movimentos sociais articulados com diversas universidades, o projeto realiza oficinas de mapeamento participativo, a partir das quais professores e alunos de graduação e de pós-graduação ajudam membros de determinado grupo a registrarem quem são e como vivem, além de mapearem a localização geográfica de suas comunidades.

Já foram lançados mais de 70 fascículos, mapeando de norte a sul do Brasil quebradeiras de coco babaçu, quilombolas, artesãs, faxinais, fundos de pastos, ciganos, ribeirinhos, povos indígenas, cipozeiros, grupos afro-religiosos, entre outros.

Segundo Seu Leonardo, da comunidade quilombola de Brito, em Alcântara, "o mapeamento ajudou os quilombolas a reconhecerem seus direitos e os limites de suas terras".

O fortalecimento dos movimento tem gerado protesto dos ruralistas, que tentam barrar a execução dos decretos de regularização fundiária de quilombos e de territórios indígenas.

Fonte: www.ciranda.net

Índios reinvindicam direitos

Lideranças indígenas levam reivindicações ao ministro da Justiça, Tarso Genro, durante o Fórum Social Mundial

A presença do ministro da Justiça, Tarso Genro, no dia 31, na Tenda dos Povos Indígenas, montada dentro da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra),durante o FSM 2009, esquentou o debate sobre os direitos dos índios e causou grande movimentação.

O ministro participou de um encontro com lideranças indígenas de vários Estados como Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná e Rondônia, organizado pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab).

Durante cerca de quinze minutos, Tarso ouviu as reclamações dos índios que, basicamente, giram em torno do direito à cultura, à terra, à saúde e segurança. Construção de barragens e hidrelétricas, o desmatamento de florestas, violência contra lideranças, demarcação definitiva das terras indígenas e extinção de povos foram os principais assuntos levantados pelos índios.

Em resposta, o ministro declarou que está comprometido em encaminhar todas as reinvindicações: "Tenham certeza de que se eu e o Márcio Meira (presidente da Funai, que também estava no debate) não pudermos apoiar a luta dos indígenas, se formos vedados de alguma forma, nós saímos do ministério e da Funai". Porém, Tarso disse que o governo só poderá atender a todas as demandas se forem de fora para dentro, pois existem forças contrárias. "Isso não é bravata. Mas tudo que fazemos recebe uma saraivada de criticas no congresso e na imprensa", completou Tarso.

Além disso, o ministro disse que algumas providências já foram tomadas. "Em dois anos assinamos 271 portarias declatórias, para demarcação de terras, fizemos 10 homologações e cerca de 90 processos (demarcação) estão em andamento".

Segundo Tarso, a Funai está passando por modificações, o que deve contribuir para que as reinvindicações sejam atendidas: "Conseguimos três mil vagas para o suporte humano e técnico ao trabalho".

"Também estamos pendindo ao presidente Lula a retirada da saúde indígena da Funasa e sua transferência para a Funai".

Enquanto isso, índios esperam sua vez. "Não atacamos os fazendeiros, mas mesmo assim eles invadem e nos matam", diz Elizeu Lopes, índio Guarani Caiuá, da aldeia Curuçu Amba, que fica no Mato Grosso do Sul. Segundo ele, 110 famílias da aldeia, expulsas de seu território, estão vivendo sob lonas na beira da estrada. "Viemos entregar nosso pedido de demarcação das nossas terras", conta Elizeu.

"É fácil atender a nossa pauta de reinvindicações, basta o governo brasileiro respeitar a constituição federal que diz quais são os direitos dos índios com relação a terra, segurança e saúde", reclama Uilton Tuxá, da Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME).

Participaram do debate também, Bartolomé Clavero, mebro do Fórum Permanente das Nações Unidas para as questões indígenas, Carlos Frederico Marês,ex-presidente da Funai, José Geraldo de Souza Junior, reitor da Universidade de Brasília (UNB), Marcos Apurinã, coordenador da Coiab e Pedro Vieira Abamovay, Secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça.

Fonte: www.ciranda.net

Imagens da Tenda Indígena FSM 2009

Fotos: Lucas Lacaz Ruiz



Presidentes participam do Fórum Social Mundial 2009

Foto de Eduardo Seidl

Cerca de 20 mil pessoas estiveram presentes na ocasião. Na platéia, alguns protestos e destaque às diversas lutas dos movimentos.

Em cerimônia realizada no Centro de Feiras e Convenções da Amazônia, no dia 29 de janeiro, a governadora do Estado do Pará, Ana Júlia Carepa, agradeceu a presença dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil), Hugo Chavez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia), Rafael Correa (Equador), Fernando Lugo (Paraguai) e representantes das comunidades índigenas no Fórum. Ela destacou a luta dos movimentos sociais e as conquistas desses povos considerados marginais pela sociedade.

Na platéia alguns protestos e cerca de vinte mil pessoas presentes no evento. A imprensa ficou localizada entre os movimentos sociais e as tribos índigenas da América Latina, que agradeceram pela participação em uma atividade tão grande. Os representantes das tribos ficaram na mesa junto dos presidentes, que discursaram logo em seguida.

Os presidentes discursaram a respeito da importância estratégica de realizar o FSM na Amazônia. Um dos mais aplaudidos foi o presidente brasileiro. "Nenhum estudioso explica como um índio com a cara de índio, um trabalhador, um jovem e um negro chegariam a presidência de seus países e, no último, comandar a maior potência econômica do mundo", declarou o presidente Lula.

Jean Philippe Fernandes Santa Rosa

Agência Jovem de Notícias/ Revista Viração


Vejam outras publicações a respeito do assunto AQUI

Mudanças climáticas e soberania alimentar

Promovida pela Marcha Mundial de Mulheres, Amigos de la Tierra, Via Campesina, REMTE, Cone Sul Sustentável e Fundação H.Boll, o debate mostrou como são falsas as soluções apresentadas para resolver as mudanças climáticas e como afetam a soberania alimentar

Faz tempo que o conceito de soberania alimentar está presente nas discussões de um outro modelo de desenvolvimento para os povos da Terra; de conceito virou princípio, e hoje é um direito humano pelo qual temos que lutar. Esta foi a introdução de Mario Almada, do CIP - Comitê para a Soberania Alimentar, ao abir a mesa que lotou a Tenda Panamazônica, na UFRA, nesta sexta-feira.

Para o ativista chileno, o modelo neoliberal gerou na América Latina não apenas uma crise econômica, mas uma série de crises: crise da produção, crise ambiental, crise no trabalho e crise social. A primeira gerada pelo desenvolvimento do agronegócio e da agroexportação, com a implantação de monocultivos em nossos países,que acabamo sistema de produção camponês e indígena, promovendo o deslocamento de fronteiras e destruindo a biodiversidade.

A privatização dos recursos naturais - terra, água, biodiversidade - faz cada dia mais camponeses perderem seus recursos enquanto promove a concentração da riqueza, a poluição e contaminação do solo, dos rios, do meio ambiente por insumos químicos e agrotóxicos. A questão dos preços passa a ser fundamental - duplicaram entre 2005 e 2008, e afetam os setores mais vulneráveis, já que os preços são negociados no mercado mundial, de uma forma especulativa.

Aumenta o desemprego e o subemprego, com falta total de proteção do Estado, sobretudo na agricultura. Com isso, a migração é intensa, aumentando a pobreza nas cidades e a violência rural. Segundo Almada, as mulheres sao as que mais sofrem, já que existe uma feminização do trabalho agrícola, pois elas sentem-se obrigadas a trabalhar para manter seus filhos.

Lucia Ortiz chamou a atenção sobre o tempo curto para reverter a situação e possibilitar a vida e a convivência no planeta. "A crise climática e financeira é resultado da sociedade capitalista exploradora dos trabalhadores e da natureza". Para Lucia as soluções apresentadas são falsas, pois reproduzem o mesmo modelo, como os novos combustíveis apresentados - etanol, carvão verde, ou novas modalidades tecnológicas. "Todos os ajustes do modelo são feitos para não recair sobre os maiores responsáveis, e pergunta: para que? para quem? essa troca de fonte energética está sendo utilizada?"

A geóloga e coordenadora da Amigos de la Tierra falou também sobre as velhas "soluções" que jogam para o futuro mais problemas, como as usinas nucleares, as barragens, os transgênicos e o controle das sementes. Ironicamente, Banco Mundial e BID detem fundos para implementar esses projetos e depois oferecem ajuda financeira às populações afetadas; e ficam os países não responsáveis pelos problemas endividados novamente por falsas soluções. Citando exemplos de ações dos governos da Bolívia e do Equador, e a necessidade da campanha pela nacionalização do petróleo no Brasil, Lucia defendeu a reforma agrária e a diversificação da produção, a soberania energética dos povos, a economia solidária, para pensarmos num novo modelo para a AL que promova o bem viver.

Miriam Nobre, da Marcha Mundial de Mulheres, relatou experiências com as quebradeiras de côco da Amazonia, para ilustrar a percepção das mulheres para a mudança de clima. Para ela, "as falsas soluções tentam adequar o tempo da natureza ao tempo necessário ao capitalismo". Citando o emblemático exemplo do eucalipto, que cresce rápido e tem a celulose até utilizada na fabricação de salsichas,exemplo típico da alimentação rápida, a presidente da MMM defendeu que revertamos rápidamente a organização do tempo, com a conquista da diminuição da jornada de trabalho e a divisão do trabalho doméstico entre homens e mulheres, por exemplo.

Outra analogia foi feita por ela em relação ao papel dos supermercados, e chamou a atenção de como o sistema das Nações Unidas vem se apropriando do discurso agroecológico, assim como se apropriou do discurso das feministas, criando inclusive confusão entre nós.

Abrindo o debate com os participantes, Josie Riffaud, francesa da Via Campesina, lembrou do encontro climático da ONU que irá acontecer em Copenhagen no final do ano, solicitando ações em todos os países. Lembrou de incluir nas falsas soluções as nanotecnologias que tentam fertilizar oceanos ou controlar a chuva e finalizou dizendo que "conforto não é sobreconsumo, que é absurdo, não deixa as pessoas felizes, basta ver o aumento de pessoas depressivas na Europa".

Fonte: www.ciranda.net

Brasil Local no Fórum Social Mundial

A Coordenadora Estadual, Andréa Mendes, e a Agente Quilombola, Laís dos Santos, ambas do Projeto Brasil Local em Rondônia, estiveram presentes à 9 edição do Fórum Social Mundial 2009, em Belém/PA.

Além das representantes do Projeto, participaram do evento empreendimentos solidários de pelo menos quatro municípios, acompanhados pela equipe Brasil Local.

A organização da Caravana vem sendo articulada desde fevereiro de 2008. Em outubro, do mesmo ano, confimaram-se as parcerias que viabilizaram todo o processo de deslocamento e estadia à Capital do Fórum Social Mundial.

Dos empreendimentos apoiados, destacamos a participação de 02 Associações Quilombolas, 02 Associações de Catadores de Material Reciclável, 04 grupos de Artesanato, 01 Associação ligada à Agricultura Familiar, 02 Grupos de Mulheres, principalmente quando falamos da Feira Internacional de Economia Solidária, de 28/01 a 01/02.

Além dos grupos solidários, participaram da Caravana entidades de apoio e gestores públicos locais.

Uma breve história do Fórum Social Mundial

Emir Sader


O Fórum Social Mundial já tem história. Uma história que não pode ser entendida separada daquilo que lhe deu nascimento e a que ele está intrinsecamente vinculado: a luta contra o neoliberalismo e por um mundo posneoliberal – que é o sentido de seu lema central “Um outro mundo possível”.

Nas suas origens está o “grito zapatista” de 1994”, conclamando à luta global contra o neoliberalismo. Em seguida, veio o editorial do Le Monde Diplomatique, de Ignacio Ramonet, chamando à luta contra o “pensamento único”, seguida pelas manifestações em Seattle, que impediram a realização da reunião da OMC e as outras, em tantas cidades do mundo. Enquanto isso, se realizavam anualmente manifestações na Suiça, chamadas de anti-Davos.

Até que, com o crescimento da resistência ao neoliberalismo, se pensou no projeto de organizar um Forum Social Mundial em oposição ao Forum Economico de Davos. A idéia foi de Bernard Cassen, jornalista francês que naquele momento dirigia a Attac, que ao mesmo tempo propôs que a sede fosse na periferia do sistema – onde residem as vitimas privilegiadas do neoliberalismo -, na América Latina – onde se desenvolviam os principais movimentos de resistência, no Brasil – que tinha a esquerda mais forte naquele momento – e, em particular, em Porto Alegre – pelas políticas dos governos do PT, de Orçamento Participativo.

O FSM passou assim da sua pré-história à sua história, com a série de 6 FSMs realizados desde então. Depois do primeiro se constituiu um Conselho Internacional, com participação de todas as entidades que quisessem se incorporar, porém a direção continuou em um estrito grupo de entidades brasileiras, dominadas por ONGs. Este foi um limitante original do FSM, dado que o movimento se apoiava centralmente em movimentos sociais – de que a Via Campesina agrupa a parte significativa deles -, enquanto as ONGs – cujo caráter ambíguo, até mesmo neoliberal pela sua definição anti-governamental, mas também com várias delas com ações obscuras no seu sentido, no seu financiamento e nas suas alianças com grandes empresas privadas – se apoderava do controle da organização, imprimindo-lhe um caráter restrito.

Restrito, porque limitado a um suposta “sociedade civil”, o que já lhe imprimia um caráter liberal, oposto a governos, a partidos, a Estados, bloqueando a capacidade de construção de “um outro mundo possível”, que teria que ser um mundo global, com transformação das relações de poder, do Estado e da sociedade no seu conjunto.
Também ficava fora um tema que passou a ser central no mundo conforme os EUA adotavam sua política de “guerras infinitas” – a luta pela paz -, que no entanto representou o momento de maior capacidade de mobilização dos novos movimentos populares no mundo, com as mobilizações de resistência à guerra do Iraque, em 2003.

O Conselho Internacional decidiu a alternância de sedes do FSM, que passou a se realizar em outros continentes, com o que ser realizaram FSMs na Índia e no Quênia, ao mesmo tempo que decidiu que os FSM se realizassem a cada dois anos, alternados por FSM regionais.

No entanto o FSM passou realmente a girar em falso conforme a definição inicial de se limitar um espaço de troça de experiências entre entidades da “sociedade civil” foi limitando suas temáticas e sua capacidade de formular alternativas. Nem sequer balanços das maiores mobilizações populares jamais havidas, as contra a guerra do Iraque, foram feitas, para definir a continuidade da luta. A fragmentação dos temas se acentuou conforme foi decidido que as atividades dos FSM seriam “autogestionadas”, sem definição política dos temas fundamentais, que deveriam ser financiados centralizadamente, promovendo um imenso privilegio das ONGs e outras entidades que dispõem de recursos contra os movimentos sociais – que deveriam ser os protagonistas fundamentais do FSM.

Embora tenha sido eleito um novo Secretariado, pelo voto dos membros do Conselho Internacional, dominado pelas ONGs, somente neste FSM é que se tem a possibilidade de acerto de contas com a realidade existente desde 2001. Seis FSM depois, o “novo mundo possível” tem em governos latinoamericanos progressistas, os agentes da sua construção.

Avanços como a Alba, o Banco do Sul, a Unasul, o Conselho Sulamericano de Defesa, além de políticas nacionais como as de refundação dos Estados na Bolívia e no Equador, além do combate ao analfabetismo, das Escolas Latinoamericanas de Medicina, da Operação Milagre, entre outras iniciativas – configuram os principais avanços na luta pelo posneoliberalismo.

Os movimentos sociais que souberam rearticular de maneira criativa suas relações com a esfera política – de que a fundação pelos movimentos bolivianos do MAS – e disputar a criação de novos governos e a construção de projetos hegemônicos alternativos, avançaram significativamente na criação do “outro mundo possível”.

Enquanto que os que seguiram refugiados na chamada “autonomia dos movimentos sociais” – como os casos dos piqueteiros argentinos ou dos zapatistas – perderam peso ou até mesmo tenderam a desaparecer politicamente.O movimento anti-neoliberal passou assim da fase de resistência à fase de construção de alternativas.

Este FSM demonstrará se permanece na fase de resistência, de fragmentação de temáticas, de limitação à “sociedade civil” ou se se coloca à altura da etapa atual de disputa hegemônica, já não mais a nível nacional ou regional, mas a nível global, quando a crise capitalista e o esgotamento do modelo neoliberal coloca para o FSM seu maior desafio: ser agente na construção concreta do “outro mundo possível” ou permanecer como espaço de testemunhos, ricos, mas impotentes.

Rondônia na Feira Internacional de Economia Solidária e FSM 2009


Durante os 05 dias de Feira Interncaional no Território da Economia Solidária dentro do FSM 2009, doze empreendimentos solidários de Rondônia apresentaram sua história e comercializaram os seus produtos para pelo menos 7 mil pessoas das 100 mil que circularam em todo o Fórum. A autogestão e cooperação foram exercícios diários entre os empreendimentos que pretendem integrar uma proposta coletiva de organização assim que retornarem ao Estado, após o Fórum Social Mundial.

Outras representações participaram exclusivamente dos Encontros e Discussões.


Estima-se um volume de comercialização acima de R$ 10.000,00, a realização de pelo menos 30 contatos importantes e participação em 90 atividades autogestionárias.

A integração destes segmentos pretende para além da Feira Internacional e FSM 2009, estruturar o Fórum Rondoniense de Economia Solidária e dar maior visibilidade dos empreendimentos identificados pela SENAES/MTE nas pesquisas do Mapeamento, no Projeto Brasil Local ou mesmo no próprio Fórum Local.

Todas estas atividades que @s representantes de Rondônia participaram em Belém/PA, contribuirão para a construção do coletivo solidário que pretendemos fortalecer daqui por diante, afirma a Coordenadora da Caravana e Articuladora Estadual da Economia Solidária.

Uma agenda de atividades será reforçada nesta próxima terça-feira (10), durante reunião da Coordenação Estadual em Porto Velho/RO.

O fundamental apoio de entidades nacionais e locais como o SEBRAE/RO, o Projeto Brasil Local/SENAES/MTE, o Fórum Brasileiro de Economia Solidária, o Instituto Marista de Solidariedade, a Coordenadoria de Mulheres do Município de Porto Velho, EMATER, DFDA/MDA, CPPT Cuniã, Projeto Terra sem Males/CPT, Senadora Fátima Cleide, CUT entre outros, possibilitaram essa participação massiva no FSM.

Contatos do FRES: amazoniasannyah@yahoo.com.br ou eco_solidaria@yahoo.com.br

Economia Solidária apresenta propostas na Assembléia Final do FSM 2009


Frente à crise econômica internacional afirmamos que a economia social e solidária é uma das estrátegias que vem permitindo o crescimento econômico sustentável, parte da construção de um novo modelo de desenvolvimento que é centrado no bem estar das pessoas nos 5 continentes.

Nós, trabalhadoras, trabalhadores e militantes do movimento de Economia Solidária, fazemos as seguintes propostas:

1 - No contexto de crise mundial, mais que nunca as práticas econômicas alternativas respondem através de suas experiências com novos instrumentos de finanças sociais e solidárias. É portanto fundamental reconhecer e apoiar a criação de laços cada vez mais fortes entre a economia, sustentabilidade e as finanças solidárias.

2 - É necessário resgatar o papel da FAO dentro do sistema ONU de garantir o direito a alimentação através de recomendação de incremento da produção de alimentos oriundos da agricultura familiar e da economia solidária também como forma de promoção de outro modelo de desenvolvimento, com trabalho e justiça frente ao aumento do desemprego no mundo.

3 - Temos que dar maior importância política e coerência prática na construção material do Fórum Social Mundial, garantindo cada vez maior participação de empreendimentos solidários, de agricultura familiar local, de materiais de baixo impacto ambiental, entre outros, na infra-estrutura das edições futuras do FSM.

4 - Recomendamos a criação de uma articulação de organizações que atuam com tecnologias da informação/mídias livres para elaborar uma solução tecnológica via web que permita intercâmbios econômicos solidários locais e internacionais com base em sistemas já existentes.

5 - Na construção das futuras edições do FSM, reconhecendo o aporte da Economia Social e Solidária no seio desta globalização da solidariedade, recomendamos que o território da Economia Social e Solidária fique próximo geograficamente às grandes temáticas, na construção dos territórios através das afinidades.

6 - Defendemos o apoio e mobilização pelo projeto de Lei da Merenda Escolar Brasileiro, que garante que pelo menos 30% da merenda seja comprada de empreendimentos locais da agricultura familiar e de Economia Solidária, o que implica numa ação estratégica na defesa da segurança alimentar e nutricional, e de outro modelo de desenvolvimento: local, solidário, sustentável e culturalmente diverso.

7 – Propomos o lançamento de uma campanha mundial por compras públicas e pelo consumo ético e responsável de produtos e serviços da Economia Solidária e Agricultura Familiar, além de denunciar os danos e impactos que advém do consumo de produtos das empresas capitalistas e corporações multinacionais.

8 – Nos somamos aos demais movimentos sociais de todo o mundo em suas lutas pela dignidade humana, o bem-viver, a emancipação dos povos e a transformação do atual modelo de desenvolvimento.

* Carta lida na Assembléia Final do Fórum Social Mundial 2009, por Jaqueline Vanzeler (membro da Coordenação Executiva do FBES)

Belém, Pará, Amazônia, Brasil.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Programação da Economia Solidária no Fórum Social Mundial disponível no site do FBES


Economia Solidária promoverá mais de 100 atividades durante o Fórum Social Mundial.

Com temas variados e muita criatividade os Fóruns Estaduais preparam-se para os debates e já contam com mais de 600 participantes.

Confira a programação: AQUI



sábado, 17 de janeiro de 2009

Relações comunitárias se fortalecem com a criação do Banco Tupinambá em Mosqueiro/PA

Na Amazônia também tem moeda social e economia solidária!

Somam-se 29 integrantes à Rede Brasileira de Bancos Comunitários. Contará, a partir de agora, com um olhar, perfil e expectativas amazônicos nas suas discussões.

Levar soluções de conveniência bancária, crédito produtivo orientado e desenvolvimento local sustentável, é uma proposta do Instituto Palmas de Desenvolvimento, da Fundação Banco do Brasil, do Departamento de Fomento da SENAES/MTE, do próprio Banco do Brasil e da comunidade local que integra o movimento de economia solidária.

Nesta parceria, cabe ao BB, por intermédio do Banco Popular do Brasil, a disponibilização da tecnologia, equipamentos, recursos financeiros para linha de microcrédito produtivo orientado e produtos, além dos serviços de microfinanças (conta corrente simplificada, seguro popular etc) –, pagamento de aposentados do INSS, pagamentos e recebimentos e outros serviços bancários. Além destas funções, será disponibilizada a moeda social Moqueio para estimular o comércio local e aumentar a riqueza circulante na comunidade. Moqueio é o trabalho desenvolvido pelos indígenas para a conservação de alimentos. Para fortalecimento desta proposta muitos estabelecimentos comerciais da Ilha já estão credenciados para receber a moeda social.

Tupinambá - Este é o nome escolhido para o banco comunitário, que será instalado na Ilha do Mosqueiro, distante 70km de Belém.

Esta idéia foi apresentada pela Associação de Mulheres Pescadoras e as Associações de Artesãos, definindo entre outras questões, que se utilizaria a metodologia aplicada pelo Instituto Palmas de Fortaleza. Isso anima o Governo Federal, através da Secretaria Nacional de Economia Solidária - SENAES, em promover uma política pública desta natureza, o Banco do Brasil em realizar a sua função socioeconômica e o Instituto Palmas em replicar a sua tecnologia para além do Estado do Ceará.

A parcerias crescem dentro do setor, isso tudo fruto de um trabalho árduo de pessoas comprometidas com a Economia Solidária, em sua proposta de autogestão, empoderamento, independência, democracia e solidariedade.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

A "CARA" DE RONDÔNIA NO FÓRUM SOCIAL MUNDIAL

Mirian (Associação de Catadores da Vila Princesa), Andréa (Projeto Brasil Local e Fórum Ecosol), Ras Uilivan (Banda Leão do Norte e Aluandê Capoeira Angola), Joice (Pastoral da Criança), Ana Cláudia (Projeto Terra sem Males/CPT), Jô (AACCJ), Lídia (Conselho de Saúde), Ana (Grupo do Cipó) - (abaixo) Cleide (Grupo Raiz - Mulheres Negras), Naudicélia e Marcio (CPPT/CUNIÃ).

Na tarde desta terça-feira (13), o Projeto Brasil Local, Fórum de Economia Solidária e CPPT/CUNIÃ, realizaram atividade preparatória da Caravana Economia Solidária Rondônia rumo ao Fórum Social Mundial/2009.

O grupo está parcialmente reunido nesta atividade, pois a previsão já chega a estimar 47 participantes.

O objetivo foi apresentar em linhas gerais os temas que serão abordados durante o FSM, integrar os/as participantes da Caravana, apresentar o Fórum de Economia Solidária e Projeto Brasil Local aos que vem chegando, reafirmar os critérios de participação, organizar a dinâmica da Caravana etc.

"Serão 15 dias de convivência diária, precisamos concatenar nossa funcionalidade durante o evento, para que todos/as possam participar das atividades", afirma uma das participantes.

"A Economia Solidária é algo forte e nos afirmarmos neste movimento vai fortalecer nosso Estado", é o que diz a participante da Associação Artístico Cultural de Candeias do Jamari.

"Rondônia tem que participar do FSM, principalmente por ser uma versão amazônica".

"A Economia Solidária deve sempre estar de mãos dadas com a cultura de raiz".

Alguns fragmentos de pensamentos afirmam a construção de uma consciência na perspectiva da Economia Solidária.

"Quando me dei conta
Eu cantava Amazônia
Era um rio de beleza
Navegando em minha voz"
(Nilson Chaves)

Rondônia realizará caravana autogestionária da Economia Solidária rumo ao Fórum Social Mundial em Belém/PA

A Caravana da Economia Solidária/RO quer integrar às atividades do segmento durante o Fórum Social Mundial que acontecerá em Belém do Pará, de 26/01 à 01/02/2009, pelo menos 47 pessoas de 35 instituições solidárias do Estado.

Um dos impulsos a participação de Rondônia no Fórum Social Mundial 2009, foi o seu caráter especialmente amazônico.


Num esforço conjunto, o Fórum Brasileiro de Economia Solidária, o Fórum Estadual, o Projeto Brasil Local/FUBRA/ SENAES/MTE, o SEBRAE/RO, o Centro de Pesquisa de Populações Tradicionais - CPPT Cuniã, a Coordenadoria de Mulheres e Secretaria de Desenvolvimento Social e Econômico da Prefeitura Municipal de Porto Velho, o Conselho Estadual de Saúde, a EMATER/RO, o Projeto Terra sem Males, Cáritas, Instituto Marista de Solidariedade, o Ministério do Desenvolvimento Agrário através da Delegacia Federal em Rondônia e do PPIGRE, Fórum de Empreendedores do Estado do Pará e Empreendimentos locais conseguimos mobilizar recursos e articular espaços para realizar esta ação, importante para dar visibilidade do movimento, da produção, da cultura local e entre outros aspectos, oportunizar o acesso as informações e troca de saberes entre várias comunidades, principalmente entre os povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, comercialização na Feira Internacional de Economia Solidária.

A construção do Território da Economia Solidária também será resultado deste esforço coletivo.

Uma das metas da Caravana também é agregar uma grande quantidade de mulheres. O que está se configurando. São mulheres de associações ribeirinhas, quilombolas, indigenas, catadoras, artesãs, de assessorias e da gestão pública. O feminino movimenta a Economia Solidária no pais com mais de 50 % de participação nos empreendimentos solidários. Em Rondônia não é diferente.

Pelo menos 14 grupos da Ecosol Rondônia participarão da Feira Internacional da Economia Solidária, distribuídos em 07 (sete) estandes.